Câncer de pâncreas: o que dizem as pesquisas?

Por: Fundação Maria Emília| Notícias| 18/08/2025

João Pedro G Kasakewitch, bolsista FME no mestrado em saúde pública da T.H. Chan School of Public Health – Harvard University.

O câncer de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas e letais, caracterizado pela dificuldade de diagnóstico precoce e pela elevada taxa de mortalidade. Embora represente cerca de 2% dos casos de câncer no Brasil,1 responde por uma parcela desproporcional de óbitos devido à sua evolução rápida e à ausência de sintomas específicos nos estágios iniciais. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os números recentes reforçam a urgência de ações preventivas e de estratégias de diagnóstico mais eficazes.2

Estudos epidemiológicos apontam que, entre abril de 2023 e abril de 2024, foram registradas mais de 19 mil internações e aproximadamente 3.800 óbitos por neoplasia maligna de pâncreas no país. Enquanto a região Sudeste concentra o maior número absoluto de casos, a região Norte apresenta a maior taxa de mortalidade por 100 mil habitantes, evidenciando desigualdades no acesso a serviços especializados.3

Diversos fatores de risco têm sido associados ao desenvolvimento dessa doença devastadora. O tabagismo, por exemplo, duplica o risco de câncer pancreático e é estimado como responsável por cerca de 25 a 40% dos casos, destacando a importância do abandono desse hábito para a redução dos índices de incidência.4

Além disso, condições como obesidade, diabetes mellitus e pancreatite crônica também contribuem significativamente para o aumento do risco. Hábitos alimentares inadequados – com elevado consumo de ultraprocessados – podem agravar esse cenário.

A falta de sintomas específicos nos estágios iniciais dificulta o diagnóstico precoce, limitando as opções terapêuticas. Apenas uma pequena fração dos pacientes é diagnosticada em uma fase em que a ressecção cirúrgica, atualmente o único tratamento potencialmente curativo, seja viável. Essa realidade ressalta a necessidade de desenvolver novas estratégias diagnósticas e terapêuticas, além de reforçar políticas públicas que promovam a prevenção e o acesso a tratamentos de ponta.5

Nesse contexto, a pesquisa em cirurgia oncológica tem avançado na busca por técnicas minimamente invasivas, novos esquemas medicamentosos, identificação de marcadores moleculares  e tentativas de criação de políticas de rastreio direcionadas à população sob maior risco, de modo a permitir intervenções mais precoces e eficazes. O aprimoramento dessas abordagens é crucial para melhorar a sobrevida dos(as) pacientes e reduzir o impacto do câncer de pâncreas na população brasileira.

Conclusão:
Diante dos dados alarmantes e da alta letalidade associada ao câncer de pâncreas, torna-se imprescindível que gestores públicos, profissionais de saúde e a sociedade se mobilizem pela promoção de ações de prevenção, diagnóstico precoce e acesso equitativo a tratamentos especializados. A adoção de um estilo de vida saudável – com a cessação do tabagismo, a prática regular de atividades físicas e uma dieta equilibrada – pode contribuir para a diminuição do risco e, consequentemente, para o controle dessa doença tão agressiva.

Fontes

1 – Instituto Nacional de Câncer (INCA). “Estatísticas de câncer.” Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros. Acesso em: 03 de abril de 2025.

2 – Instituto Nacional de Câncer (INCA). “Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil.” inca.gov.br

3 – Costa et al. “Análise Epidemiológica da Neoplasia Maligna de Pâncreas no Brasil: Internações, Óbitos e Taxa de Mortalidade.” Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024.  bjihs.emnuvens.com.br

4 – Oncoguia. “Estes hábitos podem te expor a um risco maior de câncer de pâncreas.” oncoguia.org.br

5 – CNN Brasil. “Câncer de pâncreas: conheça os riscos e sintomas da doença.” cnnbrasil.com.br

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