Edital inédito destina até R$2 milhões para pesquisas sobre educação em tempo integral do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental
Por: Fundação Itaú| Notícias| 27/04/2026Inscrições vão até o dia 4 de maio para propostas acadêmicas que investiguem modelos, impactos e desafios na etapa, em uma iniciativa da Fundação Itaú e Fundação Lemann
A Fundação Itaú e a Fundação Lemann lançam um edital para financiar pesquisas e avaliações sobre educação integral em tempo integral nos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), com investimento total de até R$2 milhões. A iniciativa tem como objetivo fomentar a produção de evidências sobre práticas, modelos de implementação, impactos e desafios dessa política nas redes públicas de ensino e é voltada a pesquisadores individuais, grupos de pesquisa e instituições como universidades e organizações da sociedade civil de todo o país.
Para a gerente de Avaliação e Planejamento do Itaú Social, Fernanda Seidel, o fortalecimento da pesquisa é condição primordial para enfrentar os desafios estruturais dessa etapa e qualificar a expansão da política de tempo integral. “Os Anos Finais reúnem desafios históricos, como a queda no desempenho, o aumento da distorção idade-série e o aprofundamento das desigualdades, ao mesmo tempo em que atendem estudantes em uma fase marcada por transformações intensas típicas da adolescência. Nesse contexto, ampliar a educação integral exige mais do que expandir a oferta, é fundamental produzir evidências sobre quais modelos promovem aprendizagem com equidade, como dialogam com diferentes territórios e de que forma fortalecem o engajamento e a permanência dos estudantes na escola”, afirma.
“Todo adolescente tem direito ao desenvolvimento integral, com experiências que promovam pertencimento, bem-estar, saúde, cultura digital e competências socioemocionais, reconhecendo esses jovens como sujeitos plurais”, afirma Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann. “Ampliar o tempo integral no Brasil é alinhar-se ao padrão internacional. Sem jornadas equivalentes às de outros países, não podemos esperar resultados comparáveis em avaliações globais de aprendizagem”.
Os interessados podem se inscrever até o dia 4 de maio de 2026, exclusivamente na plataforma de editais da Fundação Itaú. Os projetos selecionados poderão ter duração de quatro a 18 meses, com execução prevista entre julho de 2026 e dezembro de 2027.
Eixos temáticos das pesquisas
- Percepções dos estudantes sobre a educação integral em tempo integral, desenvolvimento dos estudantes, aprendizagem adequada e senso de pertencimento: investiga os efeitos da educação integral sobre aprendizagem, dimensões socioemocionais, engajamento e senso de pertencimento.
- Território, famílias e comunidade: analisa a relação entre escola e contexto social, incluindo percepções das famílias, desigualdades territoriais e condições de acesso e permanência.
- Expansão, implementação e gestão da Política de Educação Integral: aborda financiamento, governança, infraestrutura e estratégias para ampliar matrículas com equidade.
- Profissionais da escola e do órgão central: foca na formação, organização do trabalho, condições de atuação e bem-estar de professores e equipes escolares.
- Currículo, organização do tempo escolar e práticas pedagógicas: examina a organização do tempo escolar e seus impactos sobre aprendizagem e desenvolvimento integral.
Educação integral no enfrentamento às defasagens e desigualdades nos Anos Finais
A etapa do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamentalconcentra alguns dos principais desafios da educação básica brasileira, que ajudam a explicar por que políticas voltadas a essa fase ganham centralidade no debate público. Em 2023, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) ficou em 5,0, abaixo da meta de 5,5, ainda evidenciando dificuldades de avanço na aprendizagem.
Os resultados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) reforçam o quadro. Apenas 36% dos estudantes do 9º ano apresentam aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e 16% em Matemática. As desigualdades raciais permanecem marcantes. Entre estudantes brancos e amarelos, 46% atingem níveis adequados em Língua Portuguesa, percentual que cai para 31% entre estudantes pretos, pardos e indígenas. Em Matemática, os índices são de 22% e 14%, respectivamente.
As disparidades também se expressam nas trajetórias escolares. Dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2025 mostram que a distorção idade-série atinge 9,2% entre estudantes brancos e chega a 17,7% entre pretos e pardos, indicando maior exposição ao atraso escolar entre grupos historicamente mais vulnerabilizados.
Nesse cenário, a ampliação da educação integral em tempo integral tem sido apontada como uma das estratégias para enfrentar esses desafios, na medida em que conecta aumento do tempo de permanência na escola com propostas voltadas ao desenvolvimento pleno. Segundo o Censo Escolar, a proporção de matrículas nos Anos Finais nessa modalidade passou de 15% em 2014 para 23,7% em 2025. Apesar do avanço, o percentual ainda não alcança a meta de 25% prevista no Plano Nacional de Educação e apresenta forte desigualdade entre redes e territórios.
Edital: Educação Integral em Tempo Integral nos Anos Finais
Inscrições: até 4 de maio de 2026
Público: pesquisadores e instituições com atuação em pesquisa educacional
Investimento total: até R$2 milhões
Duração dos projetos: de 4 a 18 meses
Resultados: até 30 de junho de 2026
Informações: https://itausocial.org.br/edital-tempo-integral