Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo pelo 18º ano consecutivo, aponta pesquisa

Por: GIFE| Notícias| 02/02/2026

São Paulo (SP), 28/01/2024 - VIII Caminha Trans, na Avenida Paulista, em São Paulo, com o tema 'Pelo Direito de Sobreviver, Existir e Resistir', coordenada pela ONG Projeto Séforas. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) lançou em janeiro deste ano a 9ª edição do Dossiê “Assassinatos e violências contra transexuais e travestis no Brasil em 2025”, durante a 3ª edição da Marsha Trans Brasil. O evento anual é realizado para trazer visibilidade para a comunidade através de debates públicos, atividades culturais, ações formativas e diálogo com instituições e sociedade.

O Brasil aparece, pelo 18º ano  consecutivo, como o país que mais mata pessoas trans no mundo, considerando aqueles que contabilizam esses dados. O relatório aponta que em 2025 foram 80 pessoas trans e travestis assassinadas no Brasil em crimes motivados por transfobia. Apesar do número representar uma queda de 34% em relação ao ano anterior, a Antra salienta que tal resultado se deve, entre outros fatores, à dificuldade crescente de monitoramento e divulgação dos casos.

Com relação ao número de assassinatos por estado, Ceará (CE) e Minas Gerais (MG) aparecem no topo do ranking, com oito casos cada. Bahia (BA) e Pernambuco (PE) empatam com sete registros de assassinatos. A região Nordeste aparece com a maior concentração de assassinatos em 2025, com 38 casos no total.

O dado corrobora com o perfil frequente das vítimas identificado pela pesquisa: jovens negras e nordestinas. A média de pessoas trans negras assassinadas foi de 77%, enquanto pessoas trans brancas se mantiveram em 22%. Pessoas indígenas representam 1% dos casos. A pesquisa ainda aponta que uma pessoa trans jovem de até 29 anos tem, em média, 28% mais chances de ser assassinada do que uma pessoa trans de qualquer outra faixa etária

Entre as recomendações para o combate à transfobia e a conscientização da população a respeito do assunto, o dossiê defende a implementação de cotas trans em universidades, institutos federais e concursos públicos, além de salientar que as forças de segurança devem combater a impunidade e a subnotificação de abuso e violência contra pessoas LGBTQIA+. 


Apoio institucional

Translate »