Economistas defendem investimento urgente no jornalismo de interesse público

Por: GIFE| Notícias| 03/11/2025

Crédito: Istock

Um alerta conjunto assinado por um grupo de onze economistas, incluindo Joseph Stiglitz (Nobel de Economia 2001) e Daron Acemoglu (Nobel de Economia 2024), foi apresentado chamando atenção para a crise enfrentada pelo jornalismo de interesse público no mundo e a consequente necessidade urgente de investimento. 

A declaração intitulada “O Imperativo Econômico de Investir na Mídia de Interesse Público”, defende que esse tipo de jornalismo não é apenas uma função democrática, mas uma infraestrutura econômica fundamental.

“Podemos compreender o jornalismo de interesse público como aquele que amplia a visibilidade de temas que impactam a vida das pessoas e que são relevantes para a democracia. Ele se baseia em fatos verificáveis, dados rastreáveis e fontes qualificadas, em um processo transparente de apuração e edição, aberto ao escrutínio público”, explica Samanta do Carmo, gerente-executiva da Associação de Jornalismo Digital (Ajor)

Além disso, ela também comenta que esse tipo de jornalismo “deve ser editorialmente independente, transparente sobre suas políticas e financiamento, e guiado por princípios éticos de responsabilidade e prestação de contas”. 

Reconhecendo essa notoriedade social, a declaração dos economistas destacam duas principais ameaças que põem em risco essa atuação: concorrência das big techs e a interferência estatal, tendo destaque países comandados por governos autoritários. 

No que diz respeito às big techs, por exemplo, Samanta do Carmo comenta que grande parte do fluxo global de informações é controlada pelas grandes plataformas digitais. “O uso dessas ferramentas, especialmente quando integrado aos mecanismos de busca, tem reduzido o tráfego direto aos sites jornalísticos, diminuindo sua visibilidade e a receita, sem oferecer qualquer tipo de compensação.” 

Apresentando planos de ação para tais problemáticas, o documento propõe um conjunto de ações para fortalecer o jornalismo de interesse público: 

  • ampliar o apoio governamental, com subsídios, fundos e incentivos fiscais que preservem a independência editorial; 
  • criar regras que obriguem plataformas digitais e de IA a remunerar de forma justa o conteúdo jornalístico que utilizam; 
  • e aplicar impostos sobre essas empresas, destinando a arrecadação ao financiamento da mídia.

“O investimento privado, combinado com políticas públicas, é um dos pilares essenciais para o fortalecimento do jornalismo de interesse público e, consequentemente, para um ambiente de integridade da informação”, conclui Samanta do Carmo. 


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