Seminário Territórios Clínicos reforça rede de cuidado em saúde mental nas periferias

Por: Fundação Tide Setubal| Notícias| 06/04/2026
Banner de divulgação do Seminário Territórios Clínicos - 2ª Edição. A imagem traz o título do evento e as informações "11 de abril" e "No Senac Santo Amaro". A imagem contém metade de sua composição por caicxs em tonalidade grená e o fundo composto pelo logo do Territórios Clínicos.

Avançar e aprofundar temas centrais que colocam em diálogo as clínicas públicas com a teoria psicanalítica, os territórios periféricos e as políticas públicas de saúde mental.

Essas premissas darão o tom do Seminário Territórios Clínicos – 2ª Edição, evento que acontecerá em 11 de abril, no Centro de Convenções Senac Santo Amaro. O objetivo da iniciativa é proporcionar uma oportunidade de ampliar a interlocução e o diálogo com diversas pessoas e profissionais interessados no tema.

Nesse sentido, um dos pontos essenciais da atividade consiste em apresentar a conclusão do trabalho desenvolvido por meio do apoio a dez organizações atuantes na democratização do acesso a espaços de cuidado em saúde mental. Vale dizer que tais organizações receberam fomento a partir do Edital Territórios Clínicos – 2ª Edição, da Fundação Tide Setubal. São elas:

  • APSP & GITS-USP;
  • Clinicuz;
  • Coletivo Capim;
  • Coletivo Psicanálise Periférica;
  • Flor de Cacto;
  • Grupo de Iniciativa Psi Antirracista (GIPA);
  • Instituto Fazendo História;
  • NEIDE/Ladrilhar;
  • PIER (Psicologia em Emergências e Desastres);
  • Psi Cultural Vozes de Carolinas Vivas.

Seminário apresenta trajetórias e provoca novo olhar sobre a psicanálise

A trajetória desses coletivos e suas descobertas nesses dois anos de trabalhos será apresentada no Seminário Territórios Clínicos. O evento, cuja inscrição é gratuita, foi concebido como a conclusão pública desse ciclo. “É um encontro que celebra e propõe reflexão e discussão sobre o tema da saúde mental a partir daquilo que esses dez coletivos elaboraram”, conta Fernanda Almeida.

A abertura das atividades será realizada por Fundação Tide Setubal Setubal e Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável. Na sequência, os coletivos que receberam apoio por meio do edital apresentarão os trabalhos desenvolvidos nos seus respectivos territórios.

Essa seção introdutória será seguida pelo debate O que a psicanálise tem a aprender com o território?. À tarde, quatro oficinas simultâneas abordarão temas como as relações étnico-raciais e os desafios de articulação entre políticas públicas e coletivos. Vale destacar que as vagas para a quarta atividade já estão preenchidas.

A escolha pela zona sul ser a sede do seminário também carrega um significado, inclusive ao considerar-se que a primeira edição aconteceu na zona leste. “Quando deslocamos os territórios clínicos para outros que não estão no Centro e no Centro expandido, também é um deslocamento dos corpos e das possibilidades de acesso”, afirma Fernanda. Para ela, essa é uma escolha conceitual que busca descentralizar a psicanálise e a discussão sobre saúde mental.

Descentralização e enfrentamento ao estigma marcam legado do programa

A pergunta que nomeia o debate central do seminário foi uma provocação dos próprios coletivos. Assim sendo, Fernanda Almeida, que trabalhou por 20 anos no serviço público, acredita que a resposta está em escutar a vida social e material das periferias.

“A psicanálise, ao longo da história, sempre disse que tem a ensinar. A inversão, colocando a psicanálise para dizer o que ela tem a aprender, é dizer e resgatar talvez o que ela tinha na sua origem: a ideia de um território”, explica. Para ela, trata-se, então, de uma psicanálise que precisa sair dos consultórios e se enraizar nas questões contemporâneas das grandes cidades.

Esse movimento de sair do lugar-comum e disputar a narrativa sobre o fato de que o cuidado em saúde mental é, então, um dos legados que o programa busca deixar. “O Territórios Clínicos, por ser um programa que não prevê apenas o atendimento, mas a incidência nesse campo, pode trazer com formação, publicações e financiamento de pesquisas na área, uma possibilidade de disputar essa narrativa. E, portanto, incidir de maneira direta no desmonte dos estigmas relacionados ao tema.”

Finalmente, o evento visa propor a seguinte reflexão: a saúde mental não se resolve apenas no atendimento individual. “A saúde mental é necessariamente social, política e territorial”, resume a coordenadora do Programa Saúde Mental e Territórios Periféricos.

Sobre o Seminário Territórios Clínicos

O Seminário Territórios Clínicos acontecerá em 11 de abril, das 8h às 17h30, no Centro de Convenções Senac Santo Amaro​ (avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823, Jurubatuba, São Paulo). Confira a programação e inscreva-se na página sobre o evento. Por fim, vale destacar que somente será possível inscrever-se para uma das oficinas do período da tarde.

Por Daniel Cerqueira Ciasca

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