UNICEF e Instituto Claro promovem encontro de redes estaduais que participam da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar
Por: Instituto Claro| Notícias| 15/09/2025
©️UNICEF/BRZ/Carismas Filmes
Brasília, setembro de 2025 – Unir esforços para que cada menina e menino em atraso escolar possa recuperar as aprendizagens e construir uma trajetória de sucesso escolar. Este foi o mote do Encontro dos Programas Alinhados à Estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE), realizado em Brasília nesta quarta-feira, 10. Organizado por UNICEF e Instituto Claro, com parceria técnica da Roda Educativa, o encontro reuniu educadores e estudantes de todos os estados que participam da estratégia de TSE, em um momento de troca de experiências e trabalho conjunto para o fortalecimento da iniciativa.
Na mesa de abertura, Daniely Gomiero, diretora de DHO – Desenvolvimento Humano Organizacional, Cultura e Sustentabilidade da Claro e vice-presidente do Instituto Claro, destacou a importância de reunir experiências de diferentes Estados que tem um objetivo comum. “Estou muito feliz de ter vocês em nossa casa hoje. O Instituto Claro tem como missão conectar pessoas para um futuro melhor. E é isso que estamos fazendo aqui hoje. A história de vida de cada menino e menina que conseguimos transformar por meio da educação nos enche de esperança e reafirma nossa certeza de que este é o único caminho possível para construir o futuro que queremos para todos e todas”, afirmou ela.
A fala foi seguida por Mônica Dias Pinto, chefe de Educação do UNICEF no Brasil, que agradeceu a parceria com o Instituto Claro e destacou importantes avanços desses sete anos de TSE e desafios que ainda precisam ser enfrentados. “Com a TSE, já contribuímos com as trajetórias de mais de 100 mil adolescentes e jovens. É um resultado importante, que merece ser comemorado. Mas ainda não é suficiente, visto o desafio que temos no País. Temos que continuar avançando”, disse ela.
Seguindo a fala de Mônica, Tereza Perez, diretora-presidente da Roda Educativa – parceiro técnico da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar – enfatizou a transformação profunda que a iniciativa traz ao País. “A gente vem fazendo cálculos do investimento financeiro que se perde com a distorção idade-série. Perdemos com a evasão, o abandono, a descrença nos adolescentes. Com a TSE, estamos passando para outra etapa, de transformar esse investimento em um caminho positivo, de inserção e reparação. Nosso desejo é que ninguém mais reprove e todo mundo aprenda, e tenha uma trajetória positiva”, disse ela.
Essa força transformadora ficou evidente nas falas dos estudantes Dandara Vieira e João Robson Nunes Rodrigues, que participaram do encontro. Os dois tiveram as trajetórias impactadas por programas da rede estadual de ensino do Acre e do Espírito Santo, que fazem parte da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar.
Após desafios imensos relacionados a mudanças para a zona rural, falta de vaga na escola e exclusão, Dandara ficou em atraso escolar. O Acre, onde ela vive, conta com o programa Aprender é o Caminho e a adolescente de Rio Branco encontrou nele a chance de retomar sua vida escolar. “Entrei no programa e foi um livramento na minha vida. Eu achava que não teria mais chances de rever tudo de novo, de ter novas oportunidades. Eu agradeço muito por estar nesse programa, sei que daqui para a frente vou conseguir seguir”, contou ela. Hoje, aos 13 anos, Dandara está cursando o 7º e 8º ano do Ensino Fundamental juntos, dentro do programa, e já sonha com o Ensino Médio.
A mudança positiva marcou, também, a trajetória de João Robson. O adolescente do município de Serra, ES, tinha 14 anos e estava no 6º ano do Ensino Fundamental, quando foi convidado a participar do Programa SucESso EScolar, da secretaria estadual de Educação do Espírito Santo. Em um ano, avançou para o 9º ano – e mudou sua perspectiva com relação à educação e ao próprio potencial. “Me tornei um novo João. Saber que tinha essa oportunidade me motivou a mudar como aluno e como pessoa. Tive também a oportunidade de falar para outros estudantes, em outras escolas, e foi muito gratificante. Nós, que passamos por essa situação de distorção, somos cerca de 4 milhões de alunos. Estar aqui, representando-os, mostra que estamos tendo a atenção merecida. Daqui para a frente, é só sucesso”, comemorou o adolescente.
Andando com fé na Educação
Terminada a mesa de abertura, foi realizado um momento cultural voltado à literatura e à potência que existe em cada escola, no trabalho de cada educador e educadora, e nos esforços e conquistas de cada estudante.
Ao som de “Andar com Fé”, música de Gilberto Gil, os participantes do encontro falaram sobre o compromisso de acreditar na Educação e trabalhar juntos em prol dos 4 milhões de estudantes da Educação Básica que hoje têm dois ou mais anos de atraso escolar no país.
“Cada um de vocês não volta sozinho para seu Estado. Nós voltamos juntos, para levar o que construímos aqui para mais gente. Vamos nos colocar em ação, repensar o que estamos fazendo em prol dos estudantes. É preciso abrir a biblioteca, ajudar os diretores a investir em instrumentos musicais, fazer articulação com a cultura, trazer o esporte para a escola… Temos que oferecer às crianças e adolescentes oportunidades para eles irem se identificando com a escola”, defendeu Maura Barbosa, coordenadora pedagógica na Roda Educativa.
A conversa seguiu, trazendo diferentes aspectos que precisam ser levados em consideração para alcançar trajetórias de sucesso escolar. Os participantes destacaram a importância do regime de colaboração e da escuta ativa dos estudantes; a urgência de investir na formação de gestores e na valorização da carreira docente, com melhores condições de trabalho; e a necessidade de olhar para o recorte de desigualdades que impactam a trajetória dos estudantes.
Falando sobre alfabetismo e sucesso escolar
Para enfrentar a cultura do fracasso escolar, é necessário um olhar específico para a questão do analfabetismo funcional. Este foi o tema da segunda mesa do evento, mediada por Flavio Rodrigues, Gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da Claro, e Marisa Villi, diretora executiva da Rede Conhecimento Social.
Durante a sessão, foram apresentados os resultados do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), lançados em maio deste ano. Segundo estudo, 29% dos brasileiros de 15 a 64 anos estão em situação de analfabetismo funcional.
Marisa explicou ser necessário diferenciar o conceito de “alfabetismo” do de alfabetização. Alfabetismo significa a capacidade de um indivíduo compreender e utilizar a informação escrita em suas práticas sociais. “Estamos analisando se uma pessoa consegue receber um panfleto no supermercado e entender qual produto comprar. Ou se consegue ler uma orientação de como limpar a caixa d’água e seguir o passo a passo”, explicou ela.
Pensando nesse impacto prático das aprendizagens na vida de crianças, adolescentes e jovens, os participantes debateram como os dados podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas focadas em trajetórias de sucesso escolar.
Ao final da sessão, Flávio destacou duas conclusões principais do debate: “A primeira é que bons dados sempre orientam o foco e mostram quem vamos priorizar e onde. A segunda é que trajetórias de sucesso se protegem com práticas integradas. Nessa perspectiva, queremos que a educação seja cada vez mais respeitada e valorizada em nosso país”, disse ele.
Iniciativas de trajetórias de sucesso escolar em cada Estado
O período da tarde foi voltado às apresentações de cada uma das iniciativas estaduais que compõem a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar, e à troca de experiências entre as redes.
A tarde foi dividida em duas mesas. Na primeira, foram apresentadas sete das oito iniciativas que compõem a estratégia. Foi o momento de ouvir as conquistas e aprendizados dos programas: Avança Mais, Tocantins; Sergipe na Idade Certa – ProSIC, Sergipe; Avexadas para Aprender, Rio Grande do Norte; Aprendendo a Aprender, Rio de Janeiro; Programa SucESso EScolar, Espírito Santo; Travessia Amapá, do Amapá; e Aprender é o Caminho, do Acre.
Para finalizar o dia, foi realizada uma mesa específica, voltada ao programa SuperAção, do Distrito Federal. Na capital federal, o programa conta tanto com turmas exclusivas para estudantes em distorção idade-série quanto com classes comuns com atendimento personalizado. A experiência foi apresentada e discutida conjuntamente, fechando o encontro.