GIFE lança publicações inéditas sobre filantropia e ação climática
Por: GIFE| GIFEnaCOP| 19/11/2025
Cleonice da Silva Vera Cruz, aposentada de 77 anos, moradora da comunidade da Vila da Barca, erguida em construções de palafitas na baía do rio Guajará. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Durante a COP30, em Belém, o GIFE apresentou um conjunto de três publicações inéditas que aprofundam a compreensão sobre como a filantropia brasileira tem avançado na agenda climática. Os lançamentos ocorreram no contexto em que o Brasil assume posição de destaque ao ser o primeiro país do Sul Global a firmar um compromisso coletivo para integrar o clima às estratégias de investimento social privado.
As novas análises oferecem diagnósticos complementares: revelam como as organizações estão estruturando sua atuação climática, demonstram o estágio de implementação do Compromisso Brasileiro da Filantropia sobre Mudanças Climáticas e trazem uma visão consolidada sobre o financiamento climático no país, apontando rumos para os próximos anos.
Panorama de Dados Censo GIFE 2024–2025 sobre Filantropia e Agenda Climática
A prévia do Censo GIFE 2024–2025 mostra que a pauta climática já se tornou parte estruturante das estratégias institucionais de grande parte das organizações associadas. O estudo analisa linhas de atuação, práticas de investimento e o avanço de abordagens orientadas pela justiça socioambiental.
Um dos destaques é o volume de recursos mobilizados: quase R$ 400 milhões (R$ 368 milhões) foram direcionados à agenda climática em 2024, o equivalente a 6% do total investido pela filantropia brasileira — proporção três vezes superior à média mundial, já que apenas 2% do investimento filantrópico global é destinado à ação climática, segundo o relatório Funding Trends 2024, da ClimateWorks Foundation.
Os dados reforçam o papel estratégico do investimento social privado na transição climática e apontam tendências de integração entre clima e outras agendas sociais — movimento alinhado às transformações culturais e institucionais que vêm se consolidando no setor.
Relatório de Progresso do Compromisso Brasileiro da Filantropia sobre Mudanças Climáticas
O GIFE também lançou o primeiro Relatório de Progresso do Compromisso Brasileiro, firmado em 2023 durante a COP28, em Dubai. O documento apresenta uma leitura abrangente do ciclo inicial de monitoramento, reunindo percepções e práticas das 44 organizações signatárias.
Entre as 28 signatárias que responderam ao monitoramento:
- 72% já traduzem o Compromisso em ações práticas, percebendo impactos concretos em suas estruturas e decisões após aderirem ao movimento;
- 44% estão em transição para uma atuação mais integrada à agenda climática;
- Há uma clara tendência de articulação entre clima e demais dimensões sociais, econômicas e territoriais, reforçando a transversalidade do tema.
Um dos destaques internacionais do Compromisso brasileiro é o Pilar 7 — Posicionamento e Identidade, que reconhece as particularidades e potencialidades da filantropia do Sul Global ao tratar a crise climática como fenômeno indissociável das desigualdades estruturais.
O relatório evidencia que o grande avanço desta etapa foi consolidar uma cultura institucional orientada à coerência entre discurso e prática, além de maior colaboração entre organizações. Os próximos passos incluem estruturar políticas internas, expandir o aporte de recursos de longo prazo e fortalecer o protagonismo de comunidades diretamente afetadas pela crise climática.
O Panorama do Financiamento Climático no Brasil: principais descobertas e recomendações
Produzido pelo iCS e pelo GIFE, com apoio da ClimateWorks Foundation, o estudo reúne dados internacionais e nacionais para apresentar uma visão integrada das contribuições não reembolsáveis destinadas à mitigação e à adaptação climática no Brasil.
O relatório mapeia:
- fluxos atuais de financiamento,
- lacunas por setores e biomas,
- e oportunidades para tornar a filantropia mais estratégica no enfrentamento da crise.
Entre as conclusões, destaca-se a urgência em ampliar e qualificar os investimentos — algo especialmente relevante diante da necessidade global estimada de US$ 1,3 trilhão até 2035 para apoiar países em desenvolvimento na implementação de metas climáticas, conforme indica o Roadmap Baku–Belém.
O levantamento contribui para orientar tanto filantropias nacionais quanto internacionais em direção a uma atuação mais coordenada e de impacto sistêmico.