Marcha das Mulheres Negras convoca população à luta por reparação e bem viver
Por: GIFE| Notícias| 24/11/2025
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
“Bem Viver aponta para as perspectivas de um legado ancestral, onde a presença das mulheres negras é parte central das novas possibilidades de confluência socioambiental”. É assim que Janira Sodré, uma das lideranças do Comitê Impulsor Nacional da Marcha, explica as principais perspectivas defendidas pela Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que acontece nesta terça-feira (25), em Brasília (DF).
A mobilização busca reunir 1 milhão de pessoas e se insere dentro da semana de programação que começou no dia 20 e se estenderá até o dia 26 de novembro, na capital federal, marcada por debates, formações e atividades culturais que reverberam o protagonismo das mulheres negras em todo o país. Confira a programação completa aqui.
“A perspectiva de bem viver é uma invenção amefricana é uma potência e uma possibilidade que anuncia um futuro fora desse ideal capitalista e neoliberal do fim do mundo”, defende Janira Sodré. “São as mulheres negras sustentando a ideia de que a gente tem que segurar para o céu não cair, de que a gente tem que adiar o fim do mundo e, mais que isso, que existe um futuro além do ecocídio capitalista, para fora do genocídio do Estado”, continua a ativista.
Percepção complementada por Thalia Luz, que também integra o Comitê Impulsor Nacional da Marcha, representando a Rede Nacional Candaces. “A reparação representa o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, de que a sociedade foi historicamente estruturada em práticas discriminatórias e racistas, e exige medidas concretas para corrigir essas injustiças”, explica.
Mete marcha
A 2ª Marcha das Mulheres Negras acontece após 10 anos da primeira, realizada em 18 de novembro de 2015, quando 100 mil mulheres marcharam “contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver”. Desta vez, são esperadas 1 milhão de mulheres de caravanas vindas de diversas regiões do país e do mundo e que chegam a Brasília em prol de uma sociedade justa e segura para a população negra. Movimentação que Janira Sodré já adianta: aponta para um cenário de fortalecimento e transformação no país.
“A nossa expectativa com a Marcha desse ano é não apenas uma ampliação da presença da participação da organização e da capacidade de incidência pública e política das mulheres negras, mas também, sobretudo, a abertura de uma nova década de prosperidade, de refundação, de nossas possibilidades no campo social, político, econômico e cultural”, diz.
A programação oficial do dia 25 tem início às 9h, com concentração no Museu da República, localizado no Setor Cultural Sul, Lote 2, próximo à Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. No mesmo horário também acontecerá a “Sessão Solene no Congresso Nacional em Comemoração à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver”. Por volta das 11h, a Marcha segue pelas ruas do Centro da capital federal.
Assim como em 2015, a edição de 2025 busca marcar posição diante das persistentes desigualdades. A violência estatal contra a juventude negra, os ataques às religiões de matriz africana, a precarização do trabalho e acesso à renda e moradia que atravessam a vida das mulheres negras.
“Nossos objetivos permanecem, mas se ampliaram desde 2015. Os princípios que nos orientam não mudaram; ao contrário, se fortaleceram e se expandiram. Nossas movimentações têm como propósito agregar as demandas ainda não atendidas e expor, ao Estado brasileiro e à sociedade, que seguimos organizadas e vigilantes diante dos processos de violência que nos atingem”, destaca Amanda Santos, uma das lideranças do Comitê Impulsor Nacional da Marcha.
“Não iremos sucumbir. Seguiremos firmes até que seja possível construir um modelo de sociedade que reconheça e respeite plenamente nossa existência”, finaliza.