Coalizões ampliam a capacidade de atuação do Investimento Social Privado no Brasil

Por: GIFE| Notícias| 08/12/2025

A formação de coalizões tem se consolidado como um caminho adotado pelo Investimento Social Privado (ISP) brasileiro para ampliar sua capacidade de atuação e enfrentar desafios socioambientais. Esse formato favorece ações coordenadas entre diferentes iniciativas que buscam fortalecer ecossistemas locais e apoiar negócios impulsionadores, como é o caso da Coalizão por Impacto

Coordenada pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), a coalizão reúne doze organizações, como: Instituto Helda Gerdau, Itaúsa e Somos Um, que decidiram atuar de forma conjunta em um projeto estruturado com duração de cinco anos. A ação mobiliza recursos filantrópicos provenientes de institutos, fundações familiares, empresariais e independentes. 

O grupo concentra esforços no fortalecimento de ecossistemas de investimentos em negócios de impacto presentes em seis cidades brasileiras: Belém, Fortaleza, Brasília, Campinas, Paranaguá e Porto Alegre. A construção dessa iniciativa coletiva possibilitou que as instituições envolvidas assumissem compromissos de médio prazo e desenvolvessem práticas que ampliam a colaboração entre diferentes atores.

Fernanda Bombardi, diretora de Programas do ICE, afirma que o trabalho coletivo é essencial para ampliar a atuação do investimento social privado. “Quando falamos desse assunto mencionamos a importância de criar mais constelações e menos estrelas, ou seja, criar uma diversidade. O nosso capital filantrópico precisa ser alocado de forma estratégica e de forma coletiva para endereçar questões significativas e sistêmicas, trabalhando individualmente é inviável”, destaca.

Desta forma, o funcionamento de uma coalizão depende de processos contínuos e envolve estruturas de governança diversas e essas iniciativas exigem tempo, distribuição de poder e a construção de confiança entre os participantes. “São processos de longo prazo, que demandam estruturas de governança diversas e que distribuem poder. São processos que precisam entrar numa lógica do estabelecimento de vínculos de confiança. Isso leva tempo e exige recursos”, observa Fernanda Bombardi. 

Ela acrescenta que o esforço se justifica porque “as mudanças são muito mais significativas, perenes e sistêmicas. Elas incidem muito mais no problema socioambiental que a gente quer tentar resolver, dado que coletivamente a gente entende um pouco melhor a complexidade desses programas e faz ações mais coordenadas”.

Em Porto Alegre, por exemplo, a Coalizão pelo Impacto desenvolve uma ação em parceria com o Instituto Helda Gerdau, que é um dos co-realizadores da iniciativa. Fernanda Bombardi explica que a articulação local permitiu o desenho de uma ação conjunta com o Banco do Estado (Banrisul). 

A mobilização envolveu a Coalizão, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul, o programa Regenera e o Banrisul. O trabalho em grupo permitiu direcionar quarenta milhões de reais em recursos públicos para negócios de impacto em estágio inicial.

Nesse sentido, as coalizões também favorecem a compreensão dos contextos locais e fortalecem redes de apoio que ampliam a atuação de negócios de impacto. A estratégia permite que diferentes organizações compartilhem informações, metodologias e recursos, criando condições para respostas coordenadas. 

“A gente precisa reconhecer que temos muita dificuldade de resolver os problemas socioambientais que o Brasil enfrenta. Então, precisamos aprender muito ainda”, reflete Fernanda Bombardi. 

“Quando a gente atua de forma coordenada e coletiva, a gente consegue propor projetos mais robustos. Somamos não só inteligências, mas recursos para conseguir ter projetos maiores”, Bombardi finaliza: “coletivamente a gente gera um aprendizado muito mais profundo, transformador e muito mais significativo.”


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